Pet shops, padarias, mini-mercados e faculdades, o que tudo isso tem em comum? Absolutamente nada e ao mesmo tempo tudo.A cada dia se ergue um desses estabelecimentos em uma esquina da cidade. A propagação destes espaços faz com que muitos percam sua credibilidade, mas por outro lado ajuda a aguçar ainda mais a livre concorrência, deixando o cliente com um leque de opções.
Cada nova universidade que surge se ganha em quantidade, mas se perde em qualidade. Antes mesmo da crise econômica, o ensino superior já passava por dificuldades, o número de vagas cresceu nos últimos anos muito mais que a demanda.
Entre os anos de 1997 e 2007, o número de instituições de ensino superior privadas do Estado de São Paulo passou de 266 para 496 um aumento de 86,5%. Já o total de alunos no ensino médio teve queda de 1,8 milhões para 1,7 milhões.
Esses números acabaram jogando a qualidade do ensino lá em baixo, o que para o Professor Carlos Monteiro da Uniban, torna-se um efeito dominó.
“A faculdade é ruim, a universidade é ruim. Forma um péssimo profissional, esse cara vai prestar um serviço de qualidade horrível, ele vai ganhar um salário ruim, mas ele quer ganhar um salário ruim por que ele é um profissional ruim e a empresa vai sempre lidando com esse tipo de gente, então cai a qualidade.”
Segundo ele, uma faculdade que deveria ser uma instituição de ensino, se tornou apenas um comércio.
“Eu digo isso sem pudores, algumas universidades no Brasil são meros supermercados, infelizmente isso é real.”
Como até o momento nada de oficial foi feito para coibir a criação de novas instituições, a lei do mercado está fazendo sua parte, para Carlos, profissionais de qualidade vão acabar se destacando e fazendo com que algumas instituições desapareçam.
“Essas universidades ruins vão deixar de existir ou perder a credibilidade. Eu acho que no final das contas isso é uma coisa positiva por que os bons profissionais vão se sobressair.”
Renato de Souza







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